Sobre investimentos e rentabilidades

investimentos financeiros
 

A aplicação financeira mais popular do país é a caderneta de poupança. Diversos motivos contribuíram para isso, entre os principais o fato de não ser necessário comprovante de renda para sua abertura e por não existir tarifa de manutenção da conta. A aplicação ser isenta de imposto de renda também contribui para isso.

Mas essas facilidades tem um preço. A primeira e mais evidente delas quando comparamos com outras opções é a baixa rentabilidade. E isso por um motivo muito peculiar: a aplicação em caderneta de poupança não é um investimento propriamente dito. Explicando melhor, você deposita um valor no banco (ou em uma cooperativa se for o caso) e esse dinheiro será corrigido de acordo com uma lei específica: Atualmente são 0,5% ao mês mais T.R. Isso independente de qual banco você tiver conta.

Essas aplicações serão usadas em grande parte para financiar o Sistema Financeiro de Habitação, mas o investidor não direciona esses recursos diretamente em nenhum projeto ou título.

Se durante décadas a poupança foi a única possibilidade de uma mínima proteção contra a inflação, esse cenário ficou no passado. Tanto pela estabilidade econômica alcançada pelo Plano Real (para você que é mais novo, acredite, temos uma economia minimamente estável, se compararmos com o que aconteceu nos anos 80 e início dos anos 90) quanto pelos diversos produtos financeiros que surgiram desde então.

Fundos de renda fixa, fundos DI, fundos multimercado e de ações, CDBs, LCI, LCA passaram a fazer parte da realidade do investidor brasileiro. O fim da hiperinflação abriu a possibilidade das pessoas se planejarem para o longo prazo. Em 2002 veio aquela que seria, em minha opinião, a maior revolução no mercado de investimentos para o cidadão comum: a criação do Tesouro Direto.

Falei que a baixa rentabilidade é o problema mais evidente da caderneta de poupança. Mas há outra questão que também deve ser abordada: o comodismo que tal aplicação cria. Veja só, caderneta de poupança existe oficialmente desde 1861 no país, quando foi regulamentada por Dom Pedro II ao criar a Caixa Econômica Federal.  Os dados mais recentes (de março de 2017) mostram que existem 77,9 milhões de contas poupança ativas no país, sendo que 54,6 milhões possuem mais de R$100,00 depositados. Já os fundos de investimentos possuem pouco mais de 4,8 milhões de investidores e o Tesouro Direto, mesmo pagando o segundo maior juro real do planeta, possui apenas 492 mil aplicadores ativos, apesar de mais de um milhão e 400 mil cadastrados no programa em maio de 2017.

Essa situação implica na seguinte consequência: a chance de conhecer alguém que guarda dinheiro na poupança é muito superior à de encontrar quem possui outros tipos de investimento. Por sua vez, isso nos afeta através do chamado efeito disponibilidade. Por não dominar o tema, concluímos que o melhor investimento é a poupança, pois todo mundo tem também. Também somos levados a crer que ela é a opção mais segura.

Pronto, isso basta para manter a maioria das pessoas satisfeitas e confortáveis, o que acaba gerando um enorme comodismo também.

Contei essa história toda para falar sobre uma das perguntas mais feitas por quem decide sair da poupança:

- Quanto eu ganho a mais se trocar de aplicação?

A resposta é bem simples e direta: Nada!

- Nada? Como assim nada?

Isso mesmo, você não ganha nada a mais. Por que um banco ou o governo te dariam alguma coisa de graça? Não parece haver nenhum motivo para isso certo?

O que acontece na realidade é que você obtém uma maior rentabilidade quando você assume a possibilidade de correr mais risco. Toda e qualquer ação humana envolve risco. Até ficar parado! Risco é diferente de perigo. Uma aplicação possuir mais risco que outra não significa que seja pior. Significa que, talvez, não seja a mais adequada para o seu perfil, para o momento que você está vivendo ou para a finalidade que está sendo realizada. No entanto, um risco maior traz consigo o benefício de um retorno potencialmente maior. E esse potencial de retorno maior tem que ser usado a nosso favor quando estamos construindo nossa reserva financeira. Seja essa reserva para emergência, para uma viagem, para a compra de um bem ou para a aposentadoria.

Esse post é só o inicio de uma série de conteúdos que serão apresentados aqui no blog da Oliva, mas já serve para pensarmos a respeito de algumas questões. Uma delas é: quais são meus objetivos de curto, médio e longo prazo? Se você tiver essa resposta definida ficará muito mais fácil escolher alternativas melhores para seus investimentos.

Se empoderar de suas finanças, de seus investimentos, é um passo fundamental no processo de amadurecimento, de crescimento pessoal. Nós somos responsáveis pelo nosso futuro. O gerente do banco e o corretor de investimentos têm suas prioridades e seus conflitos de interesse para resolverem. Não terceirize essa importante face de sua vida. Assuma o controle!