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Por que Alfabetização Financeira?
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Quando falamos em alfabetização é comum lembrarmos logo de um período relativo à infância. As primeiras letras, as primeiras sílabas, aprender a escrever o próprio nome. Tudo aquilo que um dia exigiu um grande esforço e atenção de nossa parte, em determinado momento tornou-se parte de nós e passou a ser feito de forma quase automática!

O tempo passou, crescemos e cada um aprendeu, pelos mais diversos modos, a manusear o dinheiro. O valor de cada cédula e as contas para saber quanto daquele papel colorido ou daquelas moedas pequenas precisaríamos para comprar algo de nosso interesse ou necessidade. E essa função de troca se tornou rotina.

Mas se lidar com dinheiro é algo tão natural no dia a dia quanto ler, por que falar em alfabetização financeira? Ainda mais quando estamos tratando de adultos?

Podemos começar a responder isso com outra comparação: será que saber ler é suficiente para entender um texto? Não é entender uma obra altamente complexa, mas sim o que um texto simples, de dois ou três parágrafos está transmitindo.

Talvez você já tenha ouvido falar sobre analfabetismo funcional. Aborda exatamente esse problema, sobre quem até consegue ler, mas não compreende o contexto ou a mensagem transmitida, não é capaz de aprofundar-se no assunto.

Com as finanças, acontece algo parecido. Na verdade, as semelhanças são assustadoras até. Quantas pessoas você já ouviu dizer que odeia matemática? E quantas que nunca leram um livro?

Então. As duas situações caminham lado a lado, de maneira muito parecida.

Quando falamos de educação financeira, estamos abordando algo que não é concreto, pelo contrário, é muito mais uma ideia. Nós não podemos tocá-la, nem sentir, mas podemos imaginar sua forma, sua função e seu objetivo. Com a alfabetização financeira acontece a mesma coisa.

Nós aqui na Oliva compartilhamos com a definição de alfabetização financeira como sendo a soma de três importantes fatores:

a)       O conhecimento financeiro

b)      O comportamento financeiro

c)       A atitude financeira

O conhecimento é tudo aquilo que já aprendemos ou, ainda, que temos a possibilidade de aprender, seja nos livros, vídeos, palestras, de forma presencial ou on-line. É o mais fácil de conseguir. Existe muito material de qualidade disponível, inclusive gratuitamente, na internet. Também são inúmeros os programas governamentais, empresariais, de ONGs, escolas e da sociedade civil em geral criados para divulgar e estimular a busca por conhecimento financeiro.

Já a atitude e o comportamento financeiros podem ser confundidos em um primeiro momento, pois estão intimamente ligados ao que cada um de nós é. Por incrível que pareça são influenciados, mas não dependem do conhecimento para existirem ou atuarem.

De forma simples, a atitude financeira é aquilo que acreditamos ser o ideal referente às questões que lidam com o dinheiro, orçamento, planos e compromissos. Nossa atitude pode ser de nunca contrair uma dívida. E isso independente da taxa de juros cobrada ou da oportunidade que tal financiamento nos permitiria.

Já quando falamos de comportamento financeiro, passamos a falar do “mundo real”, aquilo que realmente colocamos em prática. Aproveitando para comparar com a atitude financeira, nós podemos julgar muito importante manter um planejamento financeiro para as próximas férias. Isso não implica que realmente vamos colocá-lo em prática.

Outro exemplo para facilitar: podemos ter o conhecimento que, ao usar o limite do cheque especial a taxa de juros a pagar é muito alta, mas mesmo assim não resistir a uma “promoção imperdível”, efetuar a compra, nos endividar, e, consequentemente, perder boa parte do “benefício” que havia em tal promoção.

Nessas horas, muito mais do que simplesmente conhecimento técnico ou habilidades matemáticas, precisamos de um equilíbrio entre essas três áreas. Conhecer a si mesmo pode valer mais do que dominar todas as opções de investimentos que o mercado financeiro oferece.

Para atingir esse equilíbrio, vale buscar ajuda de outras áreas também. O maior exemplo disso é a Psicologia Econômica, cujo nome já contém a resposta das áreas envolvidas. Tem também a Neuroeconomia. E a própria Economia Comportamental. Nomes que podem parecer complexos, mas que tem como objetivo justamente estudar, entender, ampliar a compreensão daquilo que afeta nossas decisões e propor ferramentas que facilitem a nossa relação com as finanças.

O tema é extenso, mesmo entre as descobertas que já aconteceram tem muita coisa para ser aperfeiçoada, e por enquanto esse texto fica por aqui, com a promessa que voltaremos a falar com mais profundidade sobre esses assuntos.

E você? Lembra-se como foi seu aprendizado sobre educação financeira? Como foram suas primeiras experiências, quem te ensinou a lidar com dinheiro? E onde você busca informações, hoje em dia, para ampliar seu conhecimento? Conte para nós nos comentários!

 
Cada decisão conta!
 

Os sites de finanças pessoais têm muitos artigos falando sobre a importância de economizar nas pequenas coisas. Não discordo disso. O que não acho correto é construir um planejamento financeiro baseado em nunca mais comer uma pizza no fim de semana com os amigos ou a família, ou então parar de tomar o cafezinho diário, e acreditar que, automaticamente, esse dinheiro será investido. E pior ainda, para ser gasto quando completarmos 60, 65, 70 anos...

 
Escolhas financeiras
 

O que está em jogo nessa situação é um hábito. Muitas pessoas (e não vou aqui julgar se é certo ou errado, pois se trata de um processo de escolhas, ainda que seja muitas vezes sem o conhecimento adequado) aceitam comprar um carro financiado em 72 vezes. No final do período, terão um bem que sofreu forte desvalorização, gerou gastos (manutenção, impostos), e também uma parcela significativa de juros.

Para boa parte dessas pessoas, jamais adiantará argumentar usando o exemplo do cafezinho diário: “ -Se você economizar esses R$4,00 todo dia, ao final de um ano terá R$1.460,00. Aplicados a uma taxa de juros livre de 6%, em 20 anos terá R$ 53.700,00 e então poderá comprar seu carro à vista! ”.

Isso não funciona porque, além de conceitos que nem todo mundo domina, como juros compostos por exemplo, a ideia de que existe uma fórmula pronta, que se aplica a todos os casos, pode na verdade diminuir o interesse da pessoa pela educação financeira. Ela pode não se reconhecer nesse cenário e se afastar totalmente da busca por uma solução, justamente por imaginar que não há uma saída para sua condição atual.

Ao transformar toda decisão em uma conta na planilha, fica de fora a parcela mais importante da equação: o que motivou a pessoa a escolher essa opção? Em qual fórmula está previsto o peso das emoções? E das necessidades? E das crenças?

Infelizmente não existe modelo que seja capaz de abranger essas questões. Podemos tentar ser o mais “racional” possível. Ao pesquisar o preço de um carro popular zero quilômetro, ir para o Excel e descobrir que dar 25 mil de entrada e financiar o saldo devedor (14 mil) em 60 vezes de 399 não é um bom negócio, pois se o mesmo valor inicial for aplicado e depois depositando as prestações, teremos o necessário para comprar à vista em 31 meses. Feliz da vida desligamos o computador. Na primeira manhã chuvosa esperando o ônibus passar (e ele com certeza vai atrasar), esquecemos as contas no Excel, reserva de emergência, esquecemos até da aposentadoria! O que importa é que 399 por mês dá para pagar!

E assim, de escolha em escolha, construímos nossa história financeira. A compra do carro foi feita, e junto com ela veio o fim da aplicação e os juros que ela rendia. Veio o gasto com seguro (-ah, só mais 200,00 por mês), o gasto com IPVA (maldito governo!), com as revisões devidamente amarradas pela concessionária (caso contrário, esqueça a garantia!).

- Mas eu preciso / quero / mereço um carro!!!!

Sem problema! Apenas precisamos ter em mente que precisar não se relaciona com querer nem com merecer. Será que um carro usado não atende a necessidade de locomoção?

- Mas carro usado dá gasto com manutenção!

Carro novo também dá... Acabei de falar sobre a revisão obrigatória nas concessionárias para manter a garantia de fábrica.

- Ah, mas tem o cheirinho de novo do carro zero!

Percebeu? No fundo, no fundo, o que a gente busca é uma frase pronta, uma explicação para nossas ações, para nossos impulsos. Será que esse cheirinho de carro novo dura até o final do carnê? Spoiler: Não!

 Muitas vezes consumimos para compensar frustrações, medos, ansiedades ou culpas. E nesse oceano de emoções, o lado racional fica devidamente submerso. Nossas escolhas sempre causam impacto. Invariavelmente seremos confrontados, lá na frente, com a consequência de decisões muitas vezes equivocadas.

Lidar com isso dá trabalho, não é fácil. Se não bastasse nossa própria fragilidade, somos ainda bombardeados por mensagens de estímulo a um padrão de vida muitas vezes fora de nosso alcance, de nossa realidade.

Não raro, aquele produto que custa muito mais do que efetivamente vale ou que vamos usufruir, vem acompanhado de uma generosa linha de crédito, com parcelas sob medida para qualquer orçamento! É a isca para nos manter nessa ciranda. Pois em 12, 24, 36, 60 meses, quantas novas necessidades surgirão? E aquela decisão precipitada que tomamos continua lá, em forma de suaves prestações, que impactam todo o orçamento.

Cuidar do nosso comportamento financeiro é um desafio, pois é quando transpomos para a vida real tanto o conhecimento (ou a falta dele) quanto as atitudes que temos diante das finanças. É nesse momento que o autoconhecimento pode fazer a diferença para melhor.

E o que mais funciona para você evitar decisões que tragam arrependimento? Como é lidar com todas as “tentações” de consumo que aparecem constantemente? Tem alguma dica para compartilhar com a gente nos comentários?