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  • Sandro Rosignoli

O que está acontecendo com a Economia?

Atualizado: Jul 13

Sobre manter-se fiel ao planejamento mesmo diante do caos.


Objetivos bem definidos fazem parte de um bom planejamento financeiro. Ao ter clareza sobre onde queremos chegar, podemos traçar planos que facilitam alcançar nossas metas e nossos sonhos.

A questão é que os caminhos serão cheios de surpresas. Nossa capacidade de atenção é limitada, as informações que temos acesso são quase sempre incompletas, e talvez o principal, todos nós fazemos parte de uma Economia cada vez mais instável, seja aqui no Brasil ou em qualquer outro país do mundo. Uma olhada em qualquer portal de notícias e vemos que não há um porto seguro onde podemos ficar escondidos e protegidos de cada acontecimento com impacto global.

Para conversarmos sobre planejamento em meio ao caos, vamos precisar citar alguns dados e rever o que tem acontecido nesses últimos tempos na economia de forma geral.

Desde a crise de 2008, o mundo nunca mais foi o mesmo do ponto de vista econômico. Governos de todos os países foram cobrados a oferecerem soluções que colocassem o mundo de volta na rota do crescimento. Mas só imprimir dinheiro, cortar juros para mínimas históricas e oferecer crédito, não foi suficiente, pelo contrário, só criaram distorções como, por exemplo, os seguidos recordes alcançados pelas Bolsas de Valores, mesmo quando os lucros das empresas não acompanhava tais subidas.

Chegamos então em 2020 e queremos falar especificamente dessa semana que se iniciou dia 09 de março e seus impactos no Brasil. O mundo já estava de alerta com as constantes divergências entre Estados Unidos e China e as promessas de retaliação, por ambos os lados, o que certamente traria prejuízos ao comércio mundial.

Veio então o surto do coronavírus, e com ele as incertezas sobre a real dimensão do alcance da doença. Novamente a China no centro do problema. Toda a cadeia produtiva global sendo afetada pelas quarentenas e paralisações da produção no país.

Não sendo suficiente, no dia 08 de março, após frustradas negociações, Rússia e Arábia Saudita decretam medidas para aumentar ainda mais a oferta de petróleo, causando abrupta queda no seu preço. O que, em outras épocas seria um grande estímulo para a maioria do planeta, nesse momento de baixa demanda geral causa mais problemas que soluções.

Por aqui, as reformas trabalhista e previdenciária não foram suficientes para tirar o país da estagnação. O baixo crescimento, o alto desemprego e informalidade, o constante conflito entre Executivo (mais propriamente na figura do presidente) e Congresso tão pouco colaboram para melhorar o cenário.

Mas mais do que isso, nosso país mudou em uma questão fundamental: os juros que o Governo paga para conseguir recursos junto ao mercado financeiro despencou nos últimos anos. Ao pagar menos juros, nosso país deixou de ser destino preferencial dos investimentos estrangeiros. Isso acarretou a disparada do Dólar, em um nível maior do que o visto em outros países. O Real é a moeda que mais se desvalorizou em 2020.

Essa taxa de juros que o Banco Central estipula como meta em cada reunião do COPOM (Comitê de Política Monetária) é mais conhecida como Selic, e trouxe um novo cenário para todas as pessoas, sejam elas investidores ou não.

Quando fizemos nossos primeiros atendimentos na Oliva, no final de 2016, a taxa Selic estava em 13,75% ao ano. O que significava que, sem muito esforço, podia-se multiplicar por dois um determinado valor em apenas seis anos. Sem correr risco.

Hoje a taxa Selic está em 4,25% ao ano. Muito provavelmente cairá ainda mais um pouco, como tentativa do Banco Central em aquecer a economia. Agora, para dobrar o capital são necessários 17 anos. Nos dois exemplos citados, sem contar a inflação.

A soma de tudo isso culminou com a atual avalanche de acontecimentos que tem atingido o mercado financeiro, e consequentemente, os investimentos de todos nós.

A Bolsa de Valores de São Paulo, que atingiu o recorde histórico de 119500 pontos dia 24 de janeiro, caiu para 68500 hoje, 12 de março, o que significa uma queda de quase 43%. Em 32 pregões (não há sessão nos fins de semana e feriados) mais de 1 trilhão e meio de reis simplesmente deixou de existir.

Os próximos meses serão de intensa volatilidade no mercado financeiro mundial. Investidores esperam que os governos apontem soluções para o desaquecimento da economia. O problema é que instrumentos clássicos que tem sido usado desde a crise de 2008 (por curiosidade: diminuição dos juros e aumento do dinheiro em circulação) já não parecem surtir o efeito esperado, gerando resultados cada vez menos duradouros. Não há qualquer certeza de como a economia mundial vai reagir aos últimos fatos. Os analistas de diversos bancos e demais integrantes dos sistemas financeiros tem feito seguidas revisões que apontam crescimentos cada vez menores.

Contamos toda essa história acima para dizer o seguinte:

Em momentos de intensa volatilidade, muitas vezes o melhor a fazer é justamente não fazer nada.

Decisões tem sido tomadas no calor do momento, muitas vezes por impulso. A nossa aversão à perda leva a reagirmos quase que por instinto. Para nos proteger, corremos para onde todos estão correndo. Por isso se manter fiel aos objetivos criados em um planejamento financeiro é importante. Por mais que o mundo pareça estar de ponta cabeça, por pior que sejam os próximos dias (ou meses), a turbulência irá passar e poderemos ver com mais tranquilidade o caminho que teremos pela frente. Aí sim será o momento de reavaliar se os projetos estão condizentes com o destino que queremos chegar.

Para terminarmos esse texto, nossa contribuição como facilitadores no processo de planejamento financeiro é para que as informações acima possam ajudar nas futuras tomadas de decisão e que proporcione a reflexão sobre os seus objetivos de curto, médio e longo prazo: eles estão bem definidos? Você está agindo hoje de acordo o plano, com a segurança de que fez o melhor possível? Lembrando que o mercado é extremamente dinâmico e cenários que hoje parecem certos, amanhã já não valem mais. Tão verdadeiro como muitos aspectos da nossa vida (assunto para outro post), ter um planejamento faz muito sentido, para não vivermos e tomarmos decisões com base na gangorra dos altos e baixos dos mercados financeiros.

Se quiser saber como é a consultoria em planejamento e organização financeira, estamos à disposição, entre em contato conosco. Ah, fique à vontade também para deixar seus comentários, adoraremos ler e puxar mais conversa sobre o assunto.

Sandro Rosignoli e Débora Malveira.

Este artigo foi elaborado pela Oliva Alfabetização Financeira e possui intenção meramente explicativa, dentro do contexto da contratação da consultoria em planejamento financeiro. O conteúdo apresentado não se trata de recomendação, indicação e/ou aconselhamento de investimento, sendo única e exclusiva responsabilidade do investidor a tomada de decisão. É recomendável que os investidores busquem aconselhamento profissional específico para a montagem de uma carteira de investimentos adequada ao seu perfil.




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